Data de fundação: 08/03/2012
- Publicado em
Breve histórico do grupo
O Castelo das Artes e Culturas desenvolve um trabalho contínuo desde 2004. Com início em São Sebastião, a partir do teatro e da arte circense, depois expandindo pelas demais cidades do litoral norte paulista. A trajetória tem origem como Grupo Artístico Fazarte, que atuou com este nome de março de 2004 a novembro de 2011, formado por jovens artistas da região que se uniram com o objetivo de transformar a arte em ofício, meio de expressão e ferramenta de transformação social.
Desde os primeiros anos, o grupo realizou oficinas teatrais gratuitas, inicialmente em escolas públicas e, posteriormente, em praças e espaços comunitários, enfrentando as dificuldades de manter um trabalho artístico permanente no território e ampliando o acesso da população às artes cênicas.
A partir de 2006, teve início o núcleo de pesquisa e criação “Caiçaras: O povo do mar”, voltado ao fortalecimento, à valorização e à difusão da cultura tradicional e popular caiçara por meio do O CastelodasArtes. Este núcleo permanece ativo até os dias atuais e reúne pesquisas, ações formativas e criações artísticas que dialogam diretamente com o território. Deste processo surgiram espetáculos e projetos como contações de histórias e causos, as peças “Mitos e Lendas Caiçara” e “O dia que eu peguei o lobisomem”, entre outros trabalhos construídos a partir de depoimentos de moradores da região, mestres e fazedores da cultura local, evidenciando a memória oral e as transformações sociais, culturais e territoriais.
Em 2009, o grupo iniciou a integração do teatro com outras linguagens artísticas, como o teatro de rua, as artes visuais, e culturas populares, criando a performance de estátua viva “O Pescador”. Esta obra representa a ancestralidade, os ofícios e o cotidiano dos povos do mar e marcou a consolidação de uma estética própria, profundamente influenciada pela identidade caiçara. As cores, objetos, gestualidades e ritmos presentes na vida à beira-mar passaram a influenciar diretamente os processos de criação, assim como o contato com a natureza e os modos de fazer tradicionais, fundamentando uma metodologia de trabalho denominada Teatro Popular Caiçara.
Em 8 de março de 2012, o grupo passou a se chamar oficialmente O Castelo das Artes, reunindo em seu histórico diversos espetáculos criados e apresentados com artistas de Caraguatatuba, Ilhabela e São Sebastião. Entre as obras de repertório da época estão “Histórias Hilárias do Futebol Brasileiro e seus fanáticos torcedores”, de Rodrigo Rangel, com direção de Henrique Cardim; “SouPalhaçoSimSinhô”, “Flashes da mente de um artista” e “ImaginAção”, escritos e dirigidos por Henrique Cardim; “O Menestrel”, de William Shakespeare. Muitos projetos iniciados ainda no período do Grupo Artístico Fazarte seguem sendo executados pela Cia. O Castelo das Artes, garantindo a continuidade das ações artísticas e formativas, sendo reconhecido como o grupo de artes cênicas em atividade ininterrupta mais antigo de São Sebastião, com presença constante nas quatro cidades do litoral norte paulista.
Entre 2017 e 2018, a companhia consolidou a instalação artística “Museu Vivo – Sou Caiçara”, uma exposição viva ao ar livre que dialoga com os espaços públicos e evidencia a ancestralidade, a religiosidade, as festividades, os ofícios, os mestres e os modos de vida tradicionais do litoral norte paulista.
O Castelo das Artes também desenvolve um trabalho consistente na arte da palhaçaria e do malabarismo, mantendo em seu repertório espetáculos como “Zezinho na Palhaçolândia”, “Palhaçada com Eco”, “O Show do Zezinho”, “Palhaços Oi e Tchau brincam de ser criança”, “Zezinho em: a Caixa-Circo” e “O Escambau”. Essas criações dialogam com a cultura popular, a ludicidade e o humor, e têm forte atuação junto ao público infantil, familiar e comunitário, ampliando o acesso à arte e fortalecendo a relação direta com a plateia.
Ainda no campo da arte e educação, a companhia desenvolveu projetos cênicos amplamente apresentados no ambiente escolar. As circulações percorreram mais de uma vez todas as escolas públicas de São Sebastião, utilizando o teatro como ferramenta pedagógica para o diálogo com crianças e jovens sobre temas sociais, culturais, e de cidadania. Entre os espetáculos criados e apresentados nesse contexto estão “Tiãozinho: o Pequeno Cidadão”, “Tiãozinho: Nem Só no Mar Tem Pirataria” e “Zezinho, Clarinha e os Caçadores de Cometa”, entre outros. Dentro desse mesmo eixo, o grupo também desenvolveu espetáculos teatrais voltados à temática da segurança no trabalho e da prevenção de acidentes, apresentados em escolas e espaços formativos, ampliando o alcance do teatro como instrumento de conscientização, orientação e responsabilidade social.
No campo da formação e qualificação artística, a companhia tem oficinas teatrais gratuitas que atendem participantes de São Sebastião, Ilhabela e Caraguatatuba, estruturadas a partir da metodologia “Esfera Teatral”, desenvolvida por seu diretor, Henrique Cardim. Esta metodologia reúne jogos teatrais, técnicas diversas, estudos teóricos e laboratórios autorais, sendo aplicada tanto na formação de novos artistas quanto nos processos criativos do grupo.
Entre 2016 e 2024, O Castelo das Artes foi selecionado cinco vezes em diferentes categorias do Projeto Ademar Guerra – Programa de Qualificação em Artes da Secretaria de Estado da Cultura, passando pelas etapas de Grupo em Formação, Núcleo Especial e Núcleo de Corpos Estáveis. Em 2018, o diretor da companhia também foi selecionado para o programa “Direções”, voltado à formação de diretores do interior e litoral paulista.
Ao longo de sua trajetória, a companhia e seu diretor receberam importantes reconhecimentos institucionais, entre eles: Moções de Aplausos da Câmara Municipal de São Sebastião (2014, 2017, 2021 e 2023), o Prêmio por Histórico em Produção Teatral – Governo do Estado de São Paulo (2021), o Reconhecimento Mestre Caiçara – Coletivo Caiçara do Litoral Norte (2022), o 1º lugar no Prêmio Trajetória Artística – Fundass / São Sebastião (2024) e o Prêmio Guapuvuru em reconhecimento à trajetória cultural (2025). O espetáculo “Quem tem medo de Lendas?” foi selecionado em três festivais do Estado de São Paulo e integrou projeto semifinalista do Prêmio Jabuti, e a trajetória da Cia. foi publicada no livro “Teatro de Grupo em Tempos de Ressignificação”.
Em 2022, a Cia. realizou diversas apresentações e circulações nas quatro cidades do litoral norte paulista por meio de edital do ProAC, do Governo do Estado de São Paulo. Ao longo de mais de duas décadas de atuação ininterrupta, o grupo manteve a maior parte de suas ações a partir da própria organização e do apoio social direto da comunidade, sofrendo forte impacto durante o período da pandemia de Covid-19.
Como desdobramento de sua trajetória, O Castelo das Artes passou a ser reconhecido como Ponto de Cultura. A partir desse reconhecimento, em 2023 ocorreu a abertura da sede do Ponto de Cultura O Castelo das Artes, intitulada “Casa dos Saberes e Fazeres”, um espaço que passou a abrigar e articular as ações artísticas, formativas e culturais desenvolvidas pela companhia. A Casa dos Saberes e Fazeres consolidou-se também como um espaço compartilhado, acolhendo outros artistas, coletivos e grupos culturais da cidade que não possuem sede própria, fortalecendo redes de colaboração e convivência cultural. Entre as atividades realizadas no espaço estão ensaios, encontros, vivências, ações formativas e apresentações abertas ao público, incluindo a utilização do espaço por grupos da cultura tradicional, artistas independentes e projetos cênicos em processo, ampliando o alcance do Ponto de Cultura como um lugar de circulação, troca e produção artística no território.
O Castelo das Artes e Culturas tem a produção artística orientada pela valorização da cultura caiçara e da arte popular, pela democratização do acesso, pelo fortalecimento da identidade local e pela crença no teatro e no fazer artístico e cultural como espaço de encontro, de experiência coletiva e de construção crítica e afetiva junto à comunidade.